Tuesday, May 02, 2006

A canção oficial sempre é a mesma


As canções e hinos dos mundiais são, foram e serão umas espécies de horrível momento para milhões e milhões de pessoas. Poucas pessoas costumam escutar esses discos, que pelo geral oscilam entre uma seleção decididamente comercial (músicos e cantores com vendas) e um pretensioso mosaico de diversidade cultural, que não faz mais do que confundir as identidades, ainda mais. Imaginemos um tibetano escutando a um oriundo de Porto Rico em inglês, ou pior para uma sensibilidade musical aguda, como a russa e a dos países do este europeu. Isso para tentar esquecer aquela canção de Itália 90 (Edoardo Bennato e Gianna Nannini), que ao final foi mais triste ainda do que o espetáculo dado pelos italianos na partida que a seleção de Bilardo os eliminou da concorrência.
Tudo parece que começou em 1966, na Inglaterra. E desde então ninguém sabe como é que saíram experiências tão pouco agraciadas. Ou se sabe, mas sempre essas pessoas não gostam de aparecer, salvo nas revistas de aspirantes a milionários. Informa o lugar da FIFA: “A canção e o hino oficial fazem parte de um exclusivo contrato de licença entre a FIFA e Syco/Sony BMG para a produção e lançamento do programa musical oficial da Copa Mundial da FIFA 2006. O álbum oficial, Vozes, será uma compilação de sucessos musicais de grandes estrelas internacionais, muitas das quais têm um vínculo muito forte com o futebol, como Eros Ramazzotti, Youssou N’Dour, Shakira e Julio Iglesias, entre muitos outros”.
Muito poucos assistiram aos jogos no Bernabé ou em Barcelona onde se escutam canções de Roberto Iglesias. Muitos na Espanha não lembram em que lugar jogava Iglesias. Ramazzotti, em mudança, não tem nada a ver, bem como o senegalês N’Dour, o qual é um número fixo na quota africana de qualquer mega evento. E de Shakira se desconhece por completo seu “vínculo” com o futebol, ainda que não há que descartar que o publicitário Ramiro Agulla lhe tenha comentado algo a respeito de Independente de Avellaneda, Rei de Copas. Os que estão em copas, sem dúvida, são estes bandidos da FIFA, que crêem que mentindo muito podem chegar à verdade. O mundo já está um pouco farto de tanta mediocridade, tanto marketing e tão pouco risco “artístico”. E a propósito fala o Mercador de Zurich: “É imprescindível que o programa musical oficial reflita a paixão pelo futebol e mostre quanto de importante é este esporte para a gente em todo o planeta” (Joseph Blatter).
Vamos dizer, finalmente, que Alemanha 2006 terá sua canção e que será o grupo “Il Divo” o novo suplício que nem sequer acalmará a ansiedade de milhares de torcedores. O título é tão correto, que dá um pouco de preguiça anotá-lo: “O mundo entre amigos”. Seguramente o escutaram, ou o escutarão, até o cansaço. Aprenderemos a odiá-la, a não a escutar, a mudar de canal quando algum comercial ameace uma nova escuta e a não comprar mais discos de Il “Divo”, arruinados já num Parnaso muito à Elvis Presley. Dentro do disco oficial também aparecerão músicas de Whitney Houston, Elton John, Mariah Carey, Michael Jackson, Rod Stewart, Shakira, Elvis Presley, Dido, Westlife, e na produção, participam também Kelly Clarkson, Barbra Streisand, George Michael, Savage Garden, Eros Ramazzotti, Billy Joel, Annie Lennox e Herbert Groenmeyer. Dentro de algumas semanas será seu lançamento mundial.Talvez um exercício de esperança, aguardo que o Brasil seja a sede do Mundial 2014, tão só para escutar uma melhor música. Enquanto vou fazendo uma canção de Chico Buarque como minha canção própria da Alemanha 2006. A pérola da Praia Chico se chama Águas de Março e, para dizer a verdade, escuto-a em versão de Victoria Abril.

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