Ousadia Mini/Book (pronto)

Os ursos de boneco de pelúcia estão povoando o mundo, e começaram a invasão, com astúcia, elegância e até ternura, mediante a utilização do gênero humano, feminino.
São ruim, asquerosos, sujos, melosos, ordinários, feios, perversos, mas são tão, mas tão, mas tão doces, que ali reside o poder.
A atração que eles exercem, além da dos corpos celestes, não reconhece a mulheres diferentes. Parece ser a sensibilidade feminina a atacada, e a decididamente vulnerada. Não há idades, referências físicas nem debilidades mentais. Idiomas, comidas, hábitos, também não são escolho para estes denominados “novos” reis, sujeitos a cuja disposição estaremos, e não duvido que aconteça daqui a pouco.
Começaram os ataques em silêncio, com discrição, o que já fala de uma estratégia. Muitos analistas de geopolítica começaram a definir ao intruso. Vale-se de relatórios confidenciais, biografias de ursos com alguma celebridade, livros de escuros escritores, cientistas e fabricadores de brinquedos, orientais (incluindo a profusos chechenos).

Em definitiva, o palco é um clássico na história da humanidade: Guerra e Paz, que, visto o caso do urso de boneco de pelúcia, não cessará. Em sentido poderia definir-se esse batalha como santa, mas com a particularidade que não há nem sequer uma deidade à qual decifrar ou entender.
O urso, e em isto nos ajuda Moris, sempre viveu, e muito contente. Quiçá ninguém imaginou este estado de situação. As aparências. E fala Baudrillard: “Hoje já não sei, ao olhar tal ou qual quadro, ou performance ou instalação, coisas assim, sim estão bem ou não, e nem sequer tenho vontade de sabê-lo em verdade. Então acho que estou como em reprovado, mas é um reprovado que não oferece excitação alguma, que não é intenso; é um reprovado mais bem da neutralização e da anulação”. (Caracas, 1994).
Senhores, ao que estamos assistindo é à extinção, e não precisamente do Urso em sua variedade Panda, senão à proliferação desmedida e até absurda destes seres, que pelo geral habitam os quartos e zonas íntimas das mulheres do planeta. Parecem inofensivos, e, no entanto, não têm trepidado em ganhar espaços. No ponto que os quartos femininos devieram pequenas células de associação. Talvez a ameaça dos pantanais do mundo em poluição parecesse encontrar uma analogia.

“Não te faças o urso!”, tal o lema da nova campanha de ação benéfica, com participação de Erradicação de Ameaças Planetárias em Escala, da secretaria multi-cultural do buró politécnico de Nações Unidas, com assento na Ilha Fernando de Noronha, é uma das novas esperanças. E não é menor o clima de algaravia no setor empresarial dos Plásticos, quiçá uno dos atores com mais a perder na investida.
Peritos australianos e cariocas detectaram novos ataques, precisando faunas urbanas específicas, o que complicou às autoridades, que criam ter limitado os ataques ao universo feminino. As correntes de pensamento antes citadas falam de um personagem particular, ao que se chamaria também “urso”. Protegidos pelo Dicionário Gay-Lésbico, “urso, homem grande e peludo”, destaca-se que não há gêneros nesta luta.
Em outro raciocínio, eles já tomaram Berlim e, mau que nos pese, é o símbolo de uma cidade com tradição e estirpe, uma grande referência para qualquer intruso, deste, mas também de outros planetas. E no mundo da arte circulam versões escandalosas de colecionadores compulsivos, o que evidentemente interessou às autoridades fiscais. Pelo momento se descartam linhas de financiamento, ainda que nos últimos tempos se verificou um aumento de ursos polares em Bulgária. Suspeita-se que uma manobra do grupo ursos albinos tece novos rumos para a mudança global.
Ainda com o descrito não se mencionou a fraude sinistra do urso de boneco de pelúcia. E neste terreno, o sentimental, a conquista é profunda. Não há dúvida: eles vêm pela supremacia, o ego hegemônico. Querem converter-nos neles, o que descarta qualquer esperança implícita de massacre ou extermínio.
Assim finalizamos com o relato de um pai típico, complexo de pai divorciado, do século XXI: “Desde menino me agradaram os bonecos de boneco de pelúcia. Agora, que tenho a meu filho, comenta-me que a ele também lhe agradam, mas me agradaria mais fazê-los para ele, que os comprar. Agradeceria que me mandassem moldes ou se alguém sabe de uma instituição que seja boa para ensinar esta arte” (Rafael Barranco Cruz).

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